12 de maio de 2007

Papa propõe acordo religioso, mas Lula não abre mão do Estado laico

O papa tentou obter nesta quinta-feira um compromisso do governo brasileiro de assinar nos próximos anos um acordo que vem sendo negociado com o Vaticano desde dezembro.

A Igreja Católica busca o compromisso do Palácio do Planalto com o restabelecimento da educação religiosa em todas as escolas do País, o acesso livre de missionários a áreas de reservas indígenas e um tratamento tributário diferente do atual, entre outras medidas.

O pontífice espera concluir as negociações até 2010, quando se encerra o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo relato da embaixadora brasileira na Santa Sé, Vera Machado.

"O papa disse que o ensino não pode ser apenas técnico, ele também tem de ser religioso e moral", afirmou a embaixadora a jornalistas, após o encontro de meia hora entre Lula e Bento 16. O governo dá indícios, no entanto, de resistir ao acordo.

Estado laico

"Nosso empenho é preservar e consolidar o Estado laico e ter a religião como instrumento para tratar do espírito e de problemas sociais", respondeu Lula ao papa, segundo pela embaixadora.

Em meio a elogios sobre o conhecimento de Bento 16 a respeito do Brasil, o presidente Lula também argumentou que a separação entre os poderes secular e religioso ajuda no amadurecimento das sociedades.

Lula preferiu concentrar a conversa reservada com o papa em temas como a desestruturação da família, iniciativas de redistribuição de renda e busca pela educação de qualidade. Bento 16 se limitou a fazer uma referência genérica ao direito à vida, uma premissa que a Igreja Católica considera oposta às práticas do aborto e da eutanásia.

O Palácio do Planalto já havia antecipado que Lula não pretendia tocar no tema do aborto na conversa com o papa, mas logo na sua chegada ao Brasil Bento 16 mostrou que não fugiria do assunto.

No pronunciamento inaugural da visita, na tarde de quarta-feira, o pontífice defendeu a preservação de valores cristãos, como o direito à vida "desde sua concepção até o seu natural declínio".

Lula, por outro lado, tinha centrado seu discurso nos temas da família e da parceria social entre a Igreja e o Estado.

Fonte: Missão Portas Abertas

3 comentários:

Yohan disse...

Realmente um assunto para se discutir. Talvez seja interessante abrir para as aulas de religião nas escolas no que diz respeito à educação moral. Mas creio que não seja positivo no sentido de estimular o catolicismo.

Anônimo disse...

Na minha escola teve aula de Religião já. Porém não rende tanto quanto eu esperava no começo. O que eles ENSINAM geralmente é que devemos respeitar todas as religiões. Porque para eles existe um Deus só, só que cada religião cre no mesmo Deus de maneira diferente. Ou seja, na minha opinião, não é verdade.
Isso ainda, uma aula de religião de uma escola da igreja Católica.

Yohan disse...

Escola católica é a coisa mais normal ter aula de religião, Hong.
O assunto é ser uma coisa padronizada em qualquer colégio que seja.
E isso sim é um assunto pra se discutir.